Conversando Sobre O Sobrinho do Mago [As Crônicas de Nárnia #1] – C.S. Lewis

Como tudo começou!

Essa é a história da criação do mundo de Nárnia!

Quem acompanha o Universos de Papel sabe que adoramos fazer resenhas de livros e contar para outros leitores nossas impressões da forma mais sucinta e ao mesmo tempo completa possível. Mas alguns livros tem mais informações escondidas, ou em alguns casos são mais  delicados e exigem um pouco mais de atenção aos detalhes para uma melhor compreensão. Por isso criamos o “Conversando“, um quadro novo tanto no Blog quanto no Canal onde vamos mais sobre alguns desses livros!

Estamos pesquisando e dando uma estudada básica para te deixar o mais informado possível sobre os livros que serão temas desse quadro e espero que gostem!

Para começar, não poderíamos escolher outro livro tão especial quanto esse!

Essa história tem mais informações do que você pensava!
Vamos conversar sobre O Sobrinho do Mago, Primeira Crônica de Nárnia!



AS CRÔNICAS DE NÁRNIA 1 - II

Embora tenha sido a penúltima das sete crônicas de Nárnia a ser escrita e publicada (1955), O Sobrinho do Mago é aceita pela maioria dos leitores como a primeira em ordem de leitura, é inclusive a primeira do volume único, pois nela conhecemos o início de tudo, e não somos só nós, os leitores, que começamos uma nova história,  mas também os personagens, que acompanham detalhadamente o nascimento desse mundo e das emocionantes aventuras que serão vividas ali.

Toda a história começa em Londres, onde conhecemos Digory que, à propósito, é o próprio “Sobrinho do Mago”, e sua amiga Polly. As duas crianças, porém são mandadas pelo tio do garoto que é um mago, caso ainda não tenha ficado claro rs para outro mundo.

“… Não estou falando de outro planeta, pois os planetas fazem parte do nosso mundo… Estou falando de outro mundo mesmo – uma outra natureza, um outro universo, um lugar aonde você jamais chegaria mesmo que viajasse eternamente através do espaço deste nosso universo…” pp.19,20

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA 1 - IIIPolly e Digory conhecem então o Bosque Entre Dois Mundos. Uma espécie de portal de acesso entre as centenas, talvez milhares ou infinitos mundos existentes, dos quais o nosso é só mais um. AS CRÔNICAS DE NÁRNIA 1 - VEm meio a muitas aventuras, as crianças se deparam com Jadis, uma feiticeira meio desequilibrada e muito cruel que passa o restante da história no encalço dos dois, seguindo-os para todo o canto, por mais que tentem se livrar dela.

Através da rainha feiticeira, conhecemos no capítulo 5 a “Palavra Execrável”, palavra esta, que apesar de secreta e conhecida somente por poucas pessoas, é extremamente perigosa, já que nela existiria o poder de destruir todo o mundo e toda a vida que existisse nele.

“Não é impossível que um homem perverso de sua raça descubra um segredo tão pavoroso quanto o da Palavra Execrável”, e use esse segredo para destruir todas as coisas vivas. Breve, muito breve, antes que envelheçam, grandes nações em seu mundo serão governadas por tiranos parecidos com a imperatriz Jadis: Indiferentes à alegria, à justiça e ao perdão. Avisem seu mundo deste grande perigo.” p.94  

Encontramos aí uma possível referência histórica. Muitos acreditam que se trata de uma crítica ao uso de armas nucleares, uma vez que o livro foi concluído durante o período da Guerra Fria.

Em uma das tentativas de despistar Jadis, os amigos vão parar em um mundo totalmente novo, que na verdade ainda nem “É” propriamente dito. Eles chegam no exato momento da criação do que virá a ser Nárnia e é a partir desse ponto que a narrativa fica incrivelmente linda e emocionante. A descrição de Lewis é tão perfeita, detalhada e encantadora que o leitor é capaz de se sentir dentro da história!

“Digory nunca tinha visto um sol daqueles. O sol sobre as ruínas de Charn parecera mais velho do que o nosso, mas este parecia mais jovem. Tinha-se a impressão de que ele ria de alegria enquanto ia subindo.” p57

Nesse contexto os personagens conhecem o criador desse novo mundo. Aslan, o Leão que com sua voz, através de seu canto, faz todas as coisas existirem em Nárnia e que desperta empatia imediata nos personagens e nos leitores. É impossível não amá-lo desde o primeiro momento!

O Leão concede o dom da fala a alguns animais e as partes mais cômicas da história se dão entre eles que são extremamente inocentes e curiosos por conhecer esse novo mundo. Como não tem a intenção de ser o rei de Nárnia, somente o seu criador, Aslan também institui as autoridades que deverão zelar por ela.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA IO nascimento de Nárnia e o restante da história fazem referências muito claras à Bíblia, à criação do mundo e ao pecado original, narrados no livro de Gênesis. São inúmeras as analogias e simbolismos utilizados pelo autor, de forma que é impossível não fazer a ligação entre As Crônicas de Nárnia e a Bíblia, entre Aslan e Deus.

No que se refere à criação, por exemplo, é fácil comparar

 “… Aqui é um mundo vazio… Aqui é nada.” p.55

Com

“A Terra era como uma massa sem forma, um vazio sem fim, uma escuridão quase palpável…” Gênesis 1:2

E

“… As novas estrelas e as novas vozes surgiram exatamente ao mesmo tempo. Se você tivesse visto e ouvido aquilo, tal como Digory, teria tido a certeza de que eram as estrelas que estavam cantando e que fora a Primeira Voz [a voz de Aslan], a voz profunda, que as fizera aparecer e cantar.” p.56

Se parece muito com:

“Onde você estava quando criei a terra? … Enquanto as estrelas da manhã cantavam e todos os anjos entoavam louvor?” Jó 38: 4-7

Já no aspecto do primeiro pecado, vemos o mal, personificado em Jadis, entrar no mundo recém-criado por intermédio de Digory, um humano que tomou atitudes erradas conscientemente e por escolha própria, ou seja, usando seu livre arbítrio.

Em certo momento, o garoto até procura se esquivar da culpa diante de Aslan, mas esse deixa claro que o mal nas terras de Nárnia foi uma decorrência das escolhas do garoto.

“- …Sei que errei. Acho que fiquei um pouco enfeitiçado pelas palavras escritas debaixo do sino.

– Enfeitiçado? – perguntou o Leão, na mesma voz soturna.

– Não, agora eu sei que não estava enfeitiçado. Estava só fingindo. ” p.74.

E, por fim, o autor não deixa espaço para dúvidas quanto à personalidade divina do Leão que toma para si as consequências do erro do menino.

“Mas não se deixem abater. O mal virá desse mal, mas temos ainda uma longa jornada, e cuidarei para que o pior caia em cima de mim,” p.74

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA 1 - VIFiquei impressionada com a beleza e delicadeza da escrita de C.S. Lewis! A leitura é tão fácil e envolvente que eu presentearia tanto uma criança quanto um adulto com esse livro sem medo de errar, pois ao ler O Sobrinho do Mago consegui constatar a preocupação do autor em criar histórias interessantes para todas as idades e concordar com ele, que certa vez disse, que uma história para crianças da qual só as crianças gostam é uma história ruim.


Título: O Sobrinho do Mago

Título Original: The Magician’s Nephew

Páginas: 92

» NO VOLUME ÚNICO:

Título: As Crônicas de Nárnia

Título Original: The Complete Chronicles Of Nárnia

Autor: C. S. Lewis

Editora: WMF Martins Fontes

Páginas: 751

Ano de Publicação: 2009

Gênero: Fantasia/Aventura/Infanto-Juvenil

Confira também o vídeo sobre esse mesmo assunto no canal!

♥♥♥ xoxo S2 S2 S2 ♥♥♥

Keity Barros

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6 comentários sobre “Conversando Sobre O Sobrinho do Mago [As Crônicas de Nárnia #1] – C.S. Lewis

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