CONVERSANDO SOBRE DOM CASMURRO – MACHADO DE ASSIS

Uma narrativa labiríntica, uma trama complexa que sustenta um dos maiores mistérios da literatura brasileira. Dom casmurro é um dos mais marcantes e atuais clássicos nacionais.

DOM CASMURRO I

Com um tom bastante melancólico, bem comum em livros que narram a vida inteira de seus personagens, esse conta a história do amor que nasce entre Bentinho e Capitu ainda na infância e cresce com o tempo. Os fatos são descritos o tempo todo pelo próprio protagonista que agora, anos depois, já é um senhor recluso e amargurado, apelidado por todos de Dom Casmurro, palavra que, segundo o dicionário denomina um indivíduo teimoso, calado, obstinado, triste e metido consigo.

Conheça a primeira Crônica de Nárnia: Conversando Sobre O Sobrinho do Mago – C.S. Lewis [As Crônicas de Nárnia #1]

Em sua velhice, quando a maior parte dos personagens envolvidos nem é mais viva, Bento Santiago, um homem atormentado pela suposta traição de sua esposa, decide escrever uma autobiografia com as memórias de sua infância e juventude.

“Ora, só há um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que me vai lembrando e convidando à construção ou reconstrução de mim mesmo.” 

Tudo começa em 1857, ainda durante o Segundo Reinado (o de Dom Pedro II), na cidade do Rio de Janeiro.

Bentinho, o garoto rico que vive sob o olhar atento de D. Glória, sua mãe viúva, superprotetora e controladora, é muito próximo de Capitu, sua vizinha pobre, por quem acaba desenvolvendo uma paixão recíproca, mas aos 15 anos é mandado para o seminário mesmo sem a menor vocação para a carreira eclesiástica. Tudo para atender a vontade da mãe que após a morte do primeiro filho, prometera que o próximo seria padre.

Já dentro do seminário, o rapaz conhece Escobar, com quem cria uma grande amizade que continua mesmo depois de saírem de lá.

Bentinho, formado em direito (como mandava o figurino das grandes famílias da época), casa-se com Capitu, enquanto Escobar se casa com Sancha, melhor amiga da moça, e os dois casais consideram-se como família à medida que Ezequiel (filho de Bento e Capitu) e Capituzinha (filha de Escobar e Sancha) nascem.

Todo o grande problema do enredo começa com a trágica morte de Escobar. Durante o velório do melhor amigo, Bento nota um comportamento que acha suspeito em sua esposa e passa a desconfiar de adultério. A partir daí, vários detalhes que nunca antes lhe ocorreram passam a chamar sua atenção, como que para comprovar sua tese de infidelidade, e o pior: a paternidade de Ezequiel passa a ser questionada.

DOM CASMURRO IVCada vez mais certo de sua teoria, com o tempo Bento não suporta olhar para o rosto do garoto que, segundo ele, traz em suas feições muitos traços do falecido amigo. Capitu, por sua vez, procura sem sucesso convencer o marido de que tudo não passa de paranoia e ciúme doentio.

Lançado em 1899, Dom Casmurro, juntamente com Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba faz parte da Trilogia Realista de Machado de Assis que foi o principal representante do Realismo no Brasil. Essa Escola Literária tinha como característica o combate social, a crítica à burguesia, a análise psicológica dos personagens e a objetividade, procurando retratar a sociedade da forma mais fiel possível, sem o idealismo do Romantismo, movimento anterior.

No entanto, ainda que com características bem próprias do Realismo, Dom Casmurro conta com aspectos bastante típicos do estilo Machadiano:

DOM CASMURRO III→Digressões – Divagação/desvio do assunto para reflexões paralelas;

→Metalinguagem – Discurso sobre a própria arte;

→Dialogo com o leitor – geralmente carregado de certo tom de ironia;

→Paródia – Imitação cômica de outro texto literário (pode acontecer com música também).

“Abane a cabeça, leitor; faça todos os gestos de incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já não o obrigou a isso antes; tudo é possível.

Pode-se encontrar no texto paródia da Ilíada, por exemplo, quando Bentinho é obrigado a fazer um discurso em honra do suposto amante de sua mulher, o que faz lembrar o rei Príamo, de Tróia, que teve de beijar a mão de Aquiles, assassino de seu filho Heitor, na obra de Homero. Além de todas as semelhanças obvias com Otelo, de Shakespeare.

“- E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; – que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu? E que morte lhe daria o mouro? Um travesseiro não bastaria ; era preciso sangue e fogo, um fogo intenso e vasto, que a consumisse de todo, e a reduzisse a pó, e o pó seria lançado ao vento, como eterna extinção…” 

Um autor envolvido em questões sociais, embora de forma sutil, Machado de Assis introduz na literatura brasileira duas categorias sociais marginalizadas no Brasil de sua época: os pobres e as mulheres ao criar Capitu, a personagem de classe social inferior, mas também muito inteligente, com iniciativa e independente. Muito avançada e diferente da mulher vista como modelo pela sociedade de seu tempo.

DOM CASMURRO VIOutro aspecto bastante interessante é a forma como as opiniões a respeito do ponto central do livro mudaram com o passar do tempo. Quando foi lançado, era aceito de forma geral como relato indiscutível de um caso de adultério. Só a partir dos anos 60 (quando questões relativas aos direitos da mulher assumiram importância maior em todo o mundo) surgiram outras interpretações que levavam à possibilidade de tudo não passar de uma obsessão de Bento.

“Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, enchia-me de terror ou desconfiança.”

Daí em diante, a forma como toda a história é contada, não por um narrador onisciente, mas sim em primeira pessoa, por um narrador totalmente parcial com o poder de manipular seus relatos a fim de convencer o leitor de seu ponto de vista, torna impossível chegar à certeza dos fatos, restando a nós leitores a mera especulação.

Nasce assim a pergunta que em mais de 100 anos não pôde ser respondida: Afinal, Capitu traiu Bentinho ou não???

“Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.”

 DOM CASMURRO II

Título: Dom Casmurro

Autor: Machado De Assis

Ano de Publicação: 1899

Gênero: Literatura Nacional/Clássico/Realismo

♥♥♥ xoxo S2 S2 S2 ♥♥♥

Keity Barros

Fontes Pesquisadas:

Blog do ENEM

Dicionário Michaelis 

Educação Globo.Com Dom Casmurro

Educação Globo.Com Realismo 

Guia do Estudante 

Portfólio: Gabriel Melloni 

Revista Piauí – Estadão 

Anúncios

2 comentários sobre “CONVERSANDO SOBRE DOM CASMURRO – MACHADO DE ASSIS

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s