24 Horas na Vida de Uma Mulher – Stefan Zweig (Resenha)

“Só um morto se abandona desse jeito, ou então alguém que já não se prende à vida por um fio que seja.” p.137

24 Horas na Vida de uma Mulher  é a terceira de Três Novelas Femininas do autor, selecionadas sob a supervisão de Alberto Dines, jornalista e biógrafo de Zweig para formarem um mesmo volume publicado pela editora Zahar. Embora sejam curtas, cada uma tem importância suficiente para que eu fale delas separadamente. Clique aqui para ler as resenha das outras também.

24 HORAS NA VIDA...II

Clique aqui para ler agora a sinopse de Três Novelas Femininas

A última do livro Três Novelas Femininas, 24 Horas na Vida de Uma Mulher gira em torno de um único dia obscuro e por isso escondido a 7 chaves por uma distinta e irrepreensível senhora da alta sociedade.

“Jamais saberei quanto tempo fiquei ali, deitada, o corpo todo gelado; os mortos sem dúvida ficam igualmente rígidos no caixão. Sei apenas que fechei os olhos e rezei à Deus, a qualquer poder celeste, que nada daquilo fosse verdade, que nada daquilo fosse real.”p.145

Depois de um episódio chocante envolvendo um dos hóspedes, o assunto principal nas rodinhas de conversas de uma pousada é o acontecido: uma honrada e respeitável mulher que da noite para o dia abandona marido e duas filhas para fugir com um rapaz que conhecera na véspera.

Imagina o tititi e as discussões acaloradas que isso não renderia hen…

24 HORAS NA VIDA...IIIMas ao contrário do que se pode pensar (que inclusive eu pensei), essa não é a trama central da novela, aliás, depois das primeiras páginas o assunto morre e é enterrado para dar lugar ao passado da Sra. C, a tal mulher da qual conheceremos as 24 horas da vida.

“Envelhecer, no fundo, é apenas deixar de temer o passado.”p.169

Acontece que em meio aos exaltados debates entre o grupo da pousada, onde também estava hospedada, a mulher identificou uma única pessoa disposta a dar o benefício da dúvida ao invés de apedrejar a esposa infiel.

Isso faz com que ela se sinta mais à vontade para lhe abrir o coração e aliviar o cargo do segredo que vem mantendo para si por anos a fio. Começa assim seu relato das 24 horas, uma rápida aventura que marcou sua vida para sempre.

Viúva há muitos anos e com os filhos já crescidos e independentes, a sra C adquire o hábito de viajar pelo mundo a fim de encontrar algum prazer em sua solitária vida, até que as circunstâncias a levam a conhecer um jovem rapaz em sérios apuros e ajudá-lo com a melhor das intenções, sem imaginar o que estava por vir.

“Escultor algum, poeta algum, nem mesmo Michelangelo, nem mesmo Dante, jamais conseguiram me transmitir  o desespero supremo, a miséria suprema na Terra, de modo tão arrebatador  como aquele ser humano que se deixava alagar pela tempestade, já indiferente e exausto demais para se obrigar a fazer um único gesto em busca de proteção.” p.137

Embora não tenha desgostado da leitura, também não posso dizer que gostei. Mesmo sendo uma história curtinha, em alguns momentos ela se tornou bastante arrastada e enfadonha. Exemplo disso é a parte das mãos!

Imagine você que em dado momento a narração se concentra nas mãos das pessoas! São duas longas páginas falando UNICAMENTE sobre o desempenho de diferentes mãos em um jogo num cassino de Monte Carlo, local onde maior parte da história se concentra. E isso em uma história de 57 páginas é bastante coisa!

24 HORAS NA VIDA...IOutro ponto negativo que encontrei na leitura, esse, na verdade, acredito ter sido uma falha da editora aqui no Brasil (que, diga-se de passagem, na maioria das vezes é impecável em suas publicações), foi o excesso de expressões estrangeiras que ficaram sem tradução ou ao menos uma nota de rodapé para situar os leitores que não conhecem tanto de inglês ou francês, por exemplo.

Por outro lado, uma ideia do autor que me agradou bastante e que achei muito interessante foi o tipo de narrativa: essa é a história de uma mulher. Mas que é narrada por um homem. Que narra justamente a narração da mulher…. Deu para entender??? Hahaha

Seriam, na verdade dois narradores: a mulher, protagonista dessas 24 horas e o homem que escutou sua história e que por fim a relata no livro que lemos.

Confesso que à medida que caminhava para o fim, a trama me agradou mais do que o início ou a metade e, apesar de não ter sido minha favorita das três novelas, 24 Horas na Vida de uma Mulher, com certeza, agradou a muitas outras pessoas mais do que a mim, prova incontestável disso é que entre 1931 e 1968 gerou sete, SÓ SETE versões cinematográficas de sucesso e se você fizer o teste e resolver ler para tirar suas próprias conclusões, talvez se dê melhor do que eu. 😉

“E volto a sentir, assustada, que substância fraca, miserável e covarde deve ser essa a que chamamos, com grandiloquência, alma, espírito, sentimento, a que chamamos dor, já que tudo isso, até mesmo em seu  mais alto paroxismo, é incapaz de destruir completamente o corpo que sofre, a carne torturada; pois apesar de tudo sobrevivemos a esses momentos com o sangue que continua correndo em nossas veias, em vez de morrer e tombar como uma árvore abatida por um raio.”p.167

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Clique aqui para ler agora um trecho de 24 Horas na Vida de Uma Mulher





Título: 24 Horas na Vida de Uma Mulher

Título Original: 24 Studen im Leben einer Frau

Páginas: 60

» NO VOLUME ÚNICO:

Título: Três Novelas Femininas

Autor: Stefan Zweig

Editora: Zahar

Páginas: 173

Ano de Publicação: 2014

Gênero: Drama / Romance / Novela Alemã

Avaliação: 1 ESTRELA1 ESTRELA

Para você, sempre…

Boas Leituras!

♥♥♥ xoxo S2 S2 S2 ♥♥♥

Keity Barros

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2 comentários sobre “24 Horas na Vida de Uma Mulher – Stefan Zweig (Resenha)

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