A Outra Volta Do Parafuso – Henry James (Resenha)

Já faz parte do imaginário popular o velho casarão mal assombrado quando o assunto é história de terror. Pois se tudo na vida tem um início, pode-se dizer que Henry James foi um dos grandes nomes responsáveis por difundir esse tipo de medo através de A Outra Volta do Parafuso, publicado em 1898 e transformando-se em um clássico do gênero no mundo inteiro.

RESENHA.jpgO livro tem início numa noite de natal com um grupo de amigos que se divertem com a comum rodada de histórias de terror (tente imaginar uma forma mais fofa e encantadora de passar a noite de natal em família!). Depois de contos cada vez mais medonhos, Douglas, um desses amigos, diz conhecer o mais horripilante de todos. E mais: segundo ele, não somente era real como lhe fora confiado pela própria protagonista dos fatos ocorridos muitos anos antes, uma amiga que não dividiu seu aterrador passado com mais ninguém além dele.

O enredo sinistro começa a tomar forma quando temos acesso, assim como o grupo, ao diário da tal moça, que, aliás, em momento algum tem seu nome revelado. Ela assume, a partir daí a posição de narradora dos acontecimentos vividos.

SelfieCity_20160731165903_org.jpgTudo começa quando, aos vinte anos, a jovem de família humilde e filha de um pároco do interior viaja à Londres para uma entrevista em busca de seu primeiro emprego. Seu futuro chefe oferece a ela a vaga de governanta de sua mansão em uma afastada área rural onde, além dos criados necessários para o bom andamento das coisas, vivem também dois sobrinhos pequenos que ficaram sob sua tutela após a morte dos pais e a quem ela deveria se dedicar em tempo integral.

Estranhamente relapso, o homem impõe uma única condição para a oferta de emprego: ela jamais, em hipótese nenhuma deveria importuna-lo. Teria de dar conta de enfrentar e resolver todo e qualquer problema que surgisse sozinha. E por mais inquietante que tal determinação pudesse ser, ela aceita o desafio.

Já na propriedade de Bly, seu novo lar e local de trabalho a governanta conhece seus pupilos por quem se apaixona imediatamente. Flora, a doce garotinha de 8 anos que é a mais linda que a moça já viu e, pouco depois Miles, seu irmão de 10 anos que encanta pelos modos gentis e educados e pela feição angelical.

Embora deslumbrada com seu trabalho, com a casa e com seus pequenos, por algum motivo a governanta não se sente totalmente à vontade e tranquila e logo entende a razão: presenças paranormais rondam a casa e pelas características físicas a moça descobre se tratar de antigos funcionários da propriedade…. QUE JÁ MORRERAM!

SelfieCity_20160731165035_orgDepois de aparições cada vez mais sinistras e descabidas como se fosse possível não ser descabida…, a governanta fica convencida de que as más intenções dos intrusos são direcionadas às suas adoradas crianças e encara quase que como divina a missão de salvá-las.

Capaz de tudo para manter os pequenos em segurança, o senso de dever chega a parecer uma obsessão a ponto de deixar no ar para quem lê a dúvida se os terríveis acontecimentos sobrenaturais narrados por ela correspondem com a verdade ou não passam de alucinação de uma jovem com perturbações psíquicas.

E talvez seja justamente esse jogo psicológico o brilhantismo da coisa toda!

Embora conheçamos a história pela perspectiva da governanta e isso nos influencie à aceitar todo o seu relato como fiel até certo ponto, chega uma altura em que começamos a perceber várias contradições e inconsistências nas versões apresentadas por ela.

Além disso, é possível perceber que a maioria dos diálogos é dúbia. As perguntas e respostas quase sempre admitem mais de uma interpretação, de modo que até o final ou PRINCIPALMENTE no final  não é possível chegar à unanimidade de opiniões sobre o que realmente aconteceu.

Em mais de um momento o leitor fica com aquele ponto de interrogação gigante: “será que eu entendi direito?”, “foi mesmo isso o que ela/ele quis dizer???”, pelo menos foi assim comigo que até entender que era exatamente essa a intenção do autor, fiquei me sentindo meio perdida. Não tinha certeza se estava conseguindo entender a história… Ou seja: se esse for o teu caso, não se preocupe, você está no caminho certo!

SelfieCity_20160731170033_orgFiquei surpresa com a capacidade do autor em criar uma atmosfera tão tensa e pesada, o que costuma ser mais facilmente encontrado nos filmes de terror góticos que têm a seu favor os efeitos visuais. Não sou muito do tipo facilmente impressionável. Já estou acostumada a medir meu grau de satisfação por um livro de suspense ou terror psicológico sem necessariamente levar em conta o nível de medo que sinto durante a leitura, como foi o caso de Caixa de Pássaros, que entrou fácil para a minha lista de favoritos mesmo sem ter me feito ficar com medo até da minha sombra (leia a resenha aqui!). Mas preciso admitir que A Outra Volta do Parafuso conseguiu abalar um pouquinho essa minha pose de corajosa haha.

Uma das poucas coisas que, a meu ver, poderiam ter sido melhor trabalhadas foi o desfecho de vários personagens que ficaram sem um final coerente na história. Tanto o grupo de amigos do começo quanto vários personagens centrais simplesmente desapareceram da história para não voltarem mais.

Embora o livro seja do século XIX, não encontrei nenhuma dificuldade em compreender a linguagem ou qualquer coisa do tipo, pelo contrário, a leitura fluiu muito bem à medida que minha curiosidade pelo desfecho aumentava.

Além de tudo isso, gostei do posfácio de David Bromwich quase tanto quanto da história em si. Evidentemente não poderia mesmo ter lido antes da história sob pena de estragar absolutamente todas as surpresas, mas muitas das informações teriam sido muito úteis no momento da leitura. Depois de terminá –lo fiquei com vontade de começar o livro de novo, entendendo os acontecimentos sob outra perspectiva.

Concluo dizendo que esse foi um dos pouquíssimos livros que gerou divergência de opiniões entre essa que vos escreve e a minha mana Kevelym, a outra metade desse blog. Nosso gosto literário costuma ser muito parecido. Se você escuta uma indicação de uma de nós, pode ter certeza que provavelmente a indicação é das duas. Mas nesse caso, curiosamente o efeito foi exatamente o contrário em cada uma de nós. Na mesma medida que eu gostei a Kevelym desgostou tentando ser delicada.  Ainda estou tentando encontrar o ponto negativo que ela encontrou. Por isso, se o teu gosto literário costuma ser parecido com o nosso, neste caso específico você tem 50% de chance de curtir muito a leitura contra 50% de achar que ele não tem graça nenhuma rs…

Já leu? Está comigo ou com a Kevelym?

Vai ler??? Deixe teu comentário!

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Título: A Outra Volta do Parafuso

Título Original: The Turn of The Screw

Autor: Henry James

Editora: Penguin Companhia das Letras

Páginas: 199

Ano de Publicação: 2011

Gênero: Suspense/Terror Gótico/Suspense Psicológico/Clássico

Avaliação:4 ESTRELAS

Para você, sempre…

Boas Leituras!

♥♥♥ xoxo S2 S2 S2 ♥♥♥

Keity Barros

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5 comentários sobre “A Outra Volta Do Parafuso – Henry James (Resenha)

  1. Meninas, que surpresa achar uma resenha desse livro por aqui.
    Eu li ele em uns dois dias, e ainda me sinto um pouco perdida quanto ao que acho desse livro.
    No começo o clima me pegou, eu fiquei curiosa, mas, no meio para o fim, não senti medo, suspense algum. Fiquei com cara de paisagem e, no fim, fechei com uma sensação de “nhé”.
    Acho que compartilho a opinião da Kevelym! HAHAHAH
    Mas foi legal ler uma perspectiva diferente. Quem sabe um dia, no futuro, eu dê outra chance para esta leitura, não é mesmo?

    Curtido por 2 pessoas

    1. Hahahaha 1 ponto para a Kevelym, 0 para mim…
      Quem sabe no futuro vc não passa para o meu lado da força né hahaha
      Realmente, também não encontrei muitas resenhas desse livro na internet não. Não sei porque, já que é considerado um clássico…
      Bjinhuss 😙

      Curtido por 1 pessoa

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