A GAROTA NA TEIA DE ARANHA [#4 Trilogia Millennium] – David Lagercrantz (Resenha)

“-Ele também havia destruído a vida de muitas outras mulheres, e essa descoberta a enfureceu, tornando-a a Lisbeth que conhecemos hoje, aquela que odeia homens que…

-…odeiam mulheres.” P.347.

A Garota Na Teia de Aranha é o quarto livro da série Millennium, mas, diferente dos três anteriores, este não foi escrito por Stieg Larsson e sim por David Lagercrantz que resolveu dar continuidade na história que Larsson tinha a intenção de escrever até chegar aos dez volumes, mas que infelizmente faleceu após entregar os três primeiros livros para a editora, sem sequer imaginar o sucesso que suas histórias alcançariam.

Se você ainda não leu, leia a resenha da trilogia aqui.

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A narrativa tem início anos após o que se passou em A Rainha do Castelo de Ar e já me deu um aperto no coração quando vi que a história se repetiu com relação ao afastamento de Mikael e Lisbeth. Eles não se falam há séculos e Mikael até desistiu de correr atrás da hacker-gênio, o que não faz sentido já que no final do último livro eles se reconciliaram. Achei desnecessário usar essa mesma ideia novamente, me soou como falta de criatividade.

Neste quarto livro o mundo dos personagens está de pernas para o ar. A Revista Millenium está com a corda no pescoço e o nó está tão apertado que Erika e Mikael foram obrigados a permitir a entrada de um novo sócio que tenta usar e abusar da revista, fazendo TUDO o que eles não aprovam e se empenhando fervorosamente em mudar a cara das publicações.

O Super-Blomkivist deixou de ser super e passou a ser taxado de fracassado e ridicularizado por toda imprensa. Virou uma piada para todos por não conseguir nenhum furo de reportagem ou sequer uma matéria relevante.

Algo que me incomodou da primeira a última página foi a mudança radical na personalidade de Mikael e Lisbeth. Ele, sempre tão reservado e impessoal, se tornou um cara aberto e conta sua vida até para o barman e sua turma de amigos bêbados e por estar sendo desmoralizado em tudo que é canto, perdeu a vontade de viver e só pensa em desistir de tudo: carreira, revista, Erika, TUDO.

A trama toda gira em torno de uma gangue/quadrilha/máfia muito perigosa que está infiltrada não só em grandiosas empresas de tecnologia, como  também em pessoas do alto escalão da NSA nos EUA. A intenção dessas pessoas é, entre outras coisas, roubar uma tecnologia de inteligência artificial que um professor renomado desenvolveu. Mas, para o desespero deles, ninguém mais ninguém menos que Lisbeth Salander resolveu atrapalhar seus planos. E nós sabemos como ela é boa em atrapalhar planos sórdidos!

img-20161024-wa0068Como eu disse acima, não só a personalidade de Blomkivist foi mudada como também a de Lisbeth. Sabemos que para nós a protagonista é um tanto perturbada e que ela em si é um completo caos, mas isso tudo é o que NÓS pensamos dela, pois dentro de si Salander tem um autocontrole formidável e se conhece como ninguém mais. Neste livro, David colocou em Lisbeth uma crise existencial que deu até tristeza. Ela não tem vontade ou determinação para lutar e esbravejar como antes e, para piorar, é como se ela estivesse se arriscando demais e sendo imprudente com coisas que ela jamais faria nos livros anteriores.

“- Acabei de me lembrar – ela disse – que há algo assustadoramente errado com as pessoas da minha família. Parecemos ser capazes de quase tudo. Das mais inconcebíveis crueldades. Deve ser algum tipo de distúrbio genético, não sei. ” P.418.

Uma surpresa muito bem vinda foi a aparição de um personagem que eu sempre torci para chegar e que, aposto um dólar, Stieg Larsson também tinha planos para ele. Achei muito justo e muito bem elaborada a personalidade e a forma como surgiu, assim como seus atos e comportamentos. Para mim, foi um dos pontos fortes do livro.

Como já esperava, a linguagem deste quarto volume é completamente diferente da que estava acostumada. Larson tinha um jeito muito próprio de escrever e até suas palavras mais fortes e ofensivas eram usadas numa medida que ele mesmo dosava. Provavelmente eu poderia reconhecer um texto seu mesmo que não estivesse assinado.

Algo que tornou o livro um tanto cansativo foram os inúmeros resumos das histórias anteriores. Acho que na intenção de se resguardar contra maus entendidos e situar o novo público que alcançaria David não perdeu oportunidades de relembrar acontecimentos anteriores e repetir mais e mais vezes o que os leitores da trilogia já  viram e viveram com as leituras que iniciaram a série.

Se comparado aos três primeiros livros, este quarto pode ficar aquém do esperado, já que, com os livros anteriores, criamos uma expectativa alta para a série e já estávamos acostumados a Lisbeth e Mikael baterem-na com os pés nas costas, porém, se for lido como sendo uma nova história, novos personagens e não tendo o legado da Millenium, A Garota Na Teia de Aranha tem tudo para ser um maravilhoso, profissional e brilhante livro.

Não sei qual sua opinião então, por favor, compartilhe comigo aqui em baixo!

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Título: A Garota Na Teia De Aranha

Título Original: Det Som Inte Dödar Oss

Autor: David Lagercrantz

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 472

Ano de Publicação: 2015

Gênero: Romance Policial / Ficção

Avaliação:4 ESTRELAS

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2 comentários sobre “A GAROTA NA TEIA DE ARANHA [#4 Trilogia Millennium] – David Lagercrantz (Resenha)

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