O ÚLTIMO ADEUS – CYNTHIA HAND (RESENHA)

“Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio. P53”.

img-20170220-wa0043

Fazer essa resenha se tornou um desafio para mim. Por diversas vezes abri meu bloco de anotações do celular (sim, eu preparo minhas resenhas por ele) e o fechei em branco sem conseguir pensar em uma única palavra para escrever.

A realidade é que este é o tipo de livro que quando terminamos de ler sentimos um imenso vazio, como se um pedaço de nossos corações tivesse se perdido entre as páginas, e não há nada que se possa dizer sobre ele, não há como explicar os sentimentos dentro de nós e até os pensamentos são vagos, de forma que se torna quase impossível fazer jus a ele em uma resenha.

“Eles ainda não entendem. Que estão esperando por aquele telefonema que mudará tudo. Que cada um vai acabar se sentindo como eu. Porque alguém que eles amam vai morrer. É uma das certezas maia cruéis da vida. P.21”.

Quando li a sinopse e vi a capa soube na hora que seria um livro incrível, mas não estava preparada para o estado emocional em que ele me deixaria quando lesse a última página.

O Último Adeus trata de um assunto delicado e atual: Suicídio de jovens e adolescentes.

Não é spoiler falar que a história começa após Ty, irmão de Alexis, que tinha a vida toda pela frente, se matar e deixar a família arrasada. E por “família” eu quero dizer a própria Alexis e sua mãe, já que o pai saiu de casa pouco antes do suicídio do filho e não é um especialista em sensibilidade.

img-20170220-wa0050

Alexis passa o livro escrevendo a contragosto um diário, tarefa dada pelo terapeuta que a acompanha por achar que ela não demonstra seus sentimentos.

O que não é mentira.

“E isso me trouxe para cá agora. Escrever em um diário sobre não querer escrever em um diário. Percebo a ironia. P.15”.

No auge da adolescência, Alexis é dona de uma inteligência incomum e anda com a galera nerd da escola. Já se candidatou às melhores faculdades do estado e possui um boletim invejável, tem amigos especiais e um namorado que a ama verdadeiramente.

Porém, após a trágica morte de seu irmão mais velho ela se afasta de seus amigos, rompe o namoro mais fofo que eu já conheci e enfrenta os assuntos relacionados à perda do irmão com uma frieza que deixa qualquer um desconcertado.

Durante todo o enredo vemos que ela carrega consigo uma culpa da qual parece que nunca conseguirá se livrar e percebemos que de alguma forma, direta ou indiretamente, ela teve relação com a morte do irmão.

“Eu não estava prestando atenção. Estava ocupada demais sendo a protagonista do meu próprio filme, enquanto meu irmão estava em algum lugar lá fora aquela noite, no escuro, sofrendo. E 17 dias mais tarde, ele estava morto. P.139.”

Como o belo drama que é, O Último Adeus não traz momento algum de comédia, ação ou suspense. Do começo ao fim o livro estabelece um sentimento de pesar no coração e prende toda a nossa atenção, o que me levou a pensar nele em todos os lugares, enquanto trabalhava, assistia à aula na faculdade, tomava banho.

Quando cheguei ao fim e tive uma visão geral dos acontecimentos, entendi o motivo que a fez carregar tanta dor e culpa, entendi a personalidade dela, que em vários momentos me fez torcer o nariz e até mesmo pensar que essa era uma das protagonistas mais chatas que já vi, e quando li aquele final…AH, AQUELE FINAL!!!

Terminei o livro na cantina da minha faculdade com olhos inchados, rosto avermelhado e soluços presos na garganta, duvidando até hoje que algum dia voltarei a me emocionar tanto com uma leitura como me emocionei com esta.

img-20170220-wa0046

Para não ser injusta, não poderia deixar de citar dois outros livros (com temas muito semelhantes), que tiraram completamente meu chão e me fizeram chorar até acabarem minhas lágrimas, são eles: As Virgens Suicidas e A Lista Negra. Creio que se você gostou de O Último Adeus, ou se após ler gostar, não teria como se decepcionar com essas duas indicações. Da mesma fora que se já eu algum deles dois e gostou, não existe a menor possibilidade de não gostar de O Último Adeus.

Que tenhamos sempre a consciência de que suicídio não é brincadeira! Que não é o tipo de coisa que queremos pagar para ver por achar que é só uma fase, frescura ou uma forma de chamar atenção, porque no final não tem volta e o sentimento de culpa é corrosivo. Se você conhece alguém que dá sinais, mesmo que mínimos, procure ajudar, ouça, converse e se estiver além de suas possibilidades procure ajuda de um profissional. É melhor pecar pelo excesso de zelo do que pela falta dele.

“Existe morte ao nosso redor. Em todos os lugares para onde olhamos. 1,8 pessoas se mata a cada segundo. Só não prestamos atenção. Até começarmos a notar. P.251”.

Desejo do fundo do coração que vocês tenham amado tanto este livro como eu amei!

Não deixe de compartilhar comigo sua opinião!!!

img-20170220-wa0045

“Morrer

É uma arte, como tudo mais.

Nisso sou excepcional.

Faço parecer infernal.

Faço parecer real.” P.251

Título: O Último Adeus

Título Original: The Last Time We Say Goodbye

Autor: Cynthia Hand

Editora: Darkside

Páginas: 352

Ano de Publicação: 2016

Gênero: Drama

Avaliação: 1 ESTRELA1 ESTRELA1 ESTRELA1 ESTRELA1 ESTRELA

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s