O LADO SOMBRIO DOS CONTOS DE FADAS – KARIN HUECK (RESENHA)

“Conhecer o lado um pouco mais sangrento das histórias é jogar luz sobre as nossas origens. Olhar para o nosso passado amedrontador permite também que sonhemos com um futuro melhor. No final das contas, é o lado sombrio dos contos de fadas que explica o seu fascínio. P.16”.

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Talvez eu seja uma das pessoas mais controversas que já pisou neste mundo, isso porque ao mesmo tempo em que AMO livros de fantasia, com toda sua doçura e faz de conta, tenho até um post explicando os motivos de amá-los tanto bem aqui, também amo livros mais sombrios e pesados, as resenhas de Caixa de Pássaros e Serial Killers estão aí para comprovar. E o livro de hoje junta dois dos meus gêneros favoritos!

“Nos seus primórdios, contos de fadas eram mais violentos, cruéis e indecentes do que imaginamos. P.13”.

Fiquei sabendo desse livro quando a Superinteressante ainda estava fazendo a divulgação pré-lançamento, e óbvio que eu e a mana Keity decidimos que precisávamos dele. Para minha sorte o lançamento foi pouco antes do meu aniversário e eu não perdi a oportunidade de pedi-lo de presente para uma das minhas miguxas (sim, eu especifico os livros que quero de presente).

O Lado Sombrio dos Contos de Fadas, como o nome já deixa claro, não foca nos contos fofinhos como conhecemos através da Disney, ele fala sobre os contos reais, sobre os contos que foram criados por adultos e para adultos. O que não falta nessas histórias são mortes bizarras e sangrentas, estupro, canibalismo e todo tipo de loucura que naquele tempo era, de certa forma, mais normal do que é para nós hoje.

“No começo dos tempos modernos, contos de fadas eram diversão adulta. E desde que o ser humano é humano, adultos gostam de ouvir casos de desgraça, reviravoltas sanguinolentas e um pouquinho de sacanagem. P.84”.

IMG-20170724-WA0004Karin Hueck fez um ótimo trabalho nos explicando como era a realidade daquela época e à que tipo de coisas as pessoas eram submetidas diariamente, de modo que fica bem mais claro o motivo de tantas madrastas existirem nessas histórias ou o fato da mãe (não, não foi a madrasta…) de João e Maria tê-los abandonado na floresta para morrerem. Quando nos damos conta de que essa era de fato a realidade das pessoas naquele século, vemos que para eles essas histórias não eram assim tão fantasiosas e impossíveis como são para nós do século XXI.

O livro é rico, é milionário, é bilionário em informações históricas e também na “biografia” de alguns dos mais prestigiados autores dos contos de fadas. Confesso que me decepcionei um pouco com os famosos Irmãos Grimm e por mais que eu queira muito falar o motivo (adoro spoiler!), terei que me segurar e fazer um mistério para você querer bastante ler.

Quando Karin nos explica, por exemplo, quem era, o que fazia e com quem Charles Perrault andava, vemos que a história de Chapeuzinho Vermelho que conhecemos na verdade não é nada daquilo que pensávamos! É uma metáfora muito bem elaborada para falar com as inocentes menininhas daquela época, e lendo isso e conhecendo todo o contexto minha cabeça quase explodiu!

“(Estupro + necrofilia + adultério = achamos o príncipe menos encantado da história dos contos de fadas.) P.129”.

A única coisa que me incomodou em quase todas as páginas do livro foi o ceticismo da autora referente toda e qualquer religião. Em certo momento ela coloca os contos de fadas, as religiões e os folclores num mesmo patamar como se tudo não passasse de história para boi dormir, e achei isso bem desnecessário por motivos de: Respeito! É sempre bom ter. Além disso, algumas das teorias que ela usa para explicar certas coisas são baseadas completamente no evolucionismo, ou seja, caem um pouco em descrédito para os que não engolem essa teoria.

De forma geral o livro é um baita aprendizado e eu quase aprendi mais de história com ele do que durante minha época de escola, rsrs.

“Uma coisa as bruxas da vida real tinham em comum com as parceiras dos contos de fadas: assim como na literatura, não havia final feliz para elas. P.203”.

Ficou bem claro que a autora estudou anos a fio para concluir esse livro, contatou inúmeros especialistas e entendedores do assunto e que inclusive visitou muitos lugares-chaves das histórias, como por exemplo, Hamelin na Alemanha para nos contar sobre a história do flautista, e isso faz uma diferença enorme para nós leitores!

Recomendo aos com gostos literários mais sombrios que o leiam e vejam como os contos eram MUITO mais interessantes antes das infindáveis edições que os tornaram contos infantis. Aos que gostam da fofura dos contos como os conhecemos também recomendo que leiam para que vejam e verdade sangrenta por trás da mentira que foi nossa infância, haha. Brincadeirinha! Recomendo que leiam para que vejam a evolução histórica e olhem com outros olhos aquilo que achamos conhecer tão bem.

“Não é preciso ser criança para se encantar com contos de fadas. Basta ouvir o “era uma vez” inicial para ser transportado para um mundo de magia, arrebatamento e finais “felizes para sempre”. P.12”.

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Título: O Lado Sombrio dos Contos de Fadas

Autor: Karin Hueck

Editora: Super Abril

Páginas: 292

Ano de Publicação: 2016

Gênero: Fantasia / YA – Jovem Adulto / História

Avaliação: 1 ESTRELA1 ESTRELA1 ESTRELA

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4 comentários sobre “O LADO SOMBRIO DOS CONTOS DE FADAS – KARIN HUECK (RESENHA)

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